terça-feira, junho 19, 2007

17º Fórum MST - Fórum do Palavreado Municipal

Realizou-se ontem 18/06/07 em Almada, o 17º Fórum dito de Participação MST / 17ª Sessão das Melodias de Sempre da Câmara Municipal de Almada
Como vem sendo habitual, nada de novo a acrescentar em termos de informação objectiva e transparente num encontro onde as queixas do cidadão são minimizadas perante o enaltecer de virtudes de uma obra onde só a Câmara Municipal e seus apoiantes conseguem ver virtudes.
Cidadão que coloca críticas é considerado "míope" ou que está de má fé.
Três factos a destacar:
As oposições políticas de Almada optaram pelo silêncio.... para a presidente brilhar
A seu tempo aparecerão a pedir o voto aos eleitores.
Os comerciantes que haviam realizado uma Reunião em Cacilhas no dia 24 de Maio de 2007 com a CMA, onde entraram com força de leão e apresentaram um conjunto de reivindicações, que parecia ser um cheque-mate à CMA , estiveram em grande número neste Fórum, mas agora entraram e sairam como cordeirinhos.
Acabaram elogiando a obra como um benefício para a cidade, colocando-se numa posição subserviente e de dependência da Câmara e da presidente.
Ganharam pontos e subsídios monetários compensatórios?
Parece-nos que nem uma coisa nem outra, numa sessão onde a demagogia e o populismo reinaram.
Vão ficar a ver os comboios passar... os que sobreviverem, "moribundos" ou não, à derrocada do comércio local.
Perante uma interpretação "sui generis" e deturpada pelo Eng. Marco Aurélio, Encarregado de Missão do Gabinete do MST, do Despacho 06.07/05SET de 22JUL2005, da Secretária de Estado dos Transportes, em defesa do irracional comportamento da CMA na matéria, foi lido por um dos presentes o mesmo Despacho, para perante a assistência, repôr a verdade.
O vereador José Gonçalves tentou, mas em vão, impedir essa leitura.
Despacho nº 06/07/05SET
"Concordo. Comunique-se ao gabinete do MST que deverá oficiar a CMA no sentido de obter a anuência para se avançar com a solução proposta.
Ass. Ana Vitorino
22 Julho 05
A presidente da Câmara Muncipal de Almada, não gostou desta verdade, onde se prova ( "no sentido de obter a anuência" ) que a CMA não quer cumprir o que exigiu ao Governo e este decidiu.
Pergunta-se que negócio existe na matéria em prejuízo do cidadão e do erário público?
Foi visível o desconforto de cumplicidade e a irritação da Presidente da Câmara Municipal de Almada, tendo mesmo emitido algumas palavras/sons, uns perceptíveis outros não, facto que a desmascarou frente ao público presente e a descobre perante a população almadense.

65 comentários:

Papoila disse...

O Lado Certo também esteve presente nesse Forum de "Participação" e também considerei que as respostas aos problemas levantados pelos participante da zna da Ramalha, não tiveram resposta convincente à altura. No entanto fiquei com a ideia de que a luta dos moradores da RLP e RJJL será uma luta de David contra Golias. Vamos ver se desta vez se os mais fracos também conseguem levar as suas ideias a avante.

Anónimo disse...

Continuem a resistir !
Isto chegou a este ponto porque os cidadãos delegaram as suas competências nos partidos que, por sua vez se sentem à vontade para estabelecer, entre si, os acordos que mais lhes são mais convenientes.Como o PC sabe que nunca será governo, restam-lhe as representações autarquicas para chantagear o poder central. Parece ser o vosso caso. Ora, as oposições do bloco central, minoritárias nesta banda, "têm" que comer e calar pois sabem que se às suas criticas sempre será oponível o argumento do país ser governado com políticas de direita.
Perante esta "pax desertica" só uma opinião pública activa, interessada e participativa pode obrigar os partidos e os seus eleitos a corrigir as suas práticas governativas. O PC, mercê das suas ramificações tentaculares na vida associativa local e na sua influência no mundo laboral foi o primeiro partido a entender esse problema . Nasceu depois o conceito de "cidade da participação" com o qual, embora com os métodos de sempre, procuram resolver a seu favor o problema de dar ao menos uma aparência de que o diálogo estabelecido com as populações tem para elas grandes benefícios e tem real influência no processo de tomada de decisão. Mas, nem os seus próprios quadros estão preparados para levar à prática um diálogo sem esconder as principais cartas na "manga" nem o diálogo em si tráz algo que o cidadão sinta que é tido em conta no momento de decidir. Nos moldes em que essa participação é concebida, ela não passa de um simulacro, mais ou menos convincente, cujo fito é unicamente servir para dizer que as pessoas foram ouvidas.Mas, gente como vós, já não vai nessa cantiga e, tal como vós, não deixa de estar presente nessas iniciativas mesmo sabendo de antemão que o processo de discussão está inquinado à partida e é conduzido com os atropelos que se conhecem.Serão sempre necessárias medidas complementares como este blogue o demonstra para que as causas de diversas dimensões (do condominio, da rua, do bairro, da cidade ou da região ) saiam do âmbito onde são geradas e passem a ganhar visibilidade para outros que passam em silêncio por problemas similares sem a esperança de serem ouvidos.Trata-se de dar o exemplo e alguém tem que ser o primeiro.O primeiro subscritor de qualquer reivindicação é sempre um alvo fácil para os que pululam em redor dos detentores de qualquer espécie de poder.É sempre o primeiro a ver posta em crise a sua idoneidade moral e cívica.É sempre o primeiro a ver questionada a sua motivação para a execução da iniciativa.Mas é sempre o primeiro a ser respeitado por quem esteja de boa-fé no processo. Independentemente do estilo pessoal de cada um, todo aquele que enfrenta o adversário à distância de lhe ver o branco dos olhos acaba por inibi-lo do espírito de matilha.Pode fazê-lo mostrando o seu rosto ao adversário e é corajoso.Pode fazê-lo assinando pelo seu punho a reivindicação e é firme. Fazendo ambas é INVENCÌVEL.

residente disse...

Creio não se tratar de luta de David contra Golias, mas de uma luta de defesa dos direitos de cidadãos e residentes contra um tigre de papel.
Há que não ter medo e ter consciência dos nossos direitos e deveres.
É só os cidadãos quererem e saberem unir forças.
A razão está do nosso lado.
A CMA só consegue fazer o que faz devido ao amorfismo dos cidadãos e ao use da temorização.
Vão ao pnto de usarem provocadores sem escrúpulos. Ontem alguns actuaram, mas como já os vamos conhecendo não lhes demos trela...
Até mesmo no final, já no átrio eles lançavam provocações.
Criticam os ditadores mas comportam-se com tal, sob roupagens democráticas.
são o que são. valem o que valem.
Nós cidadãos ao defendermos nossos direitos valemos muito.

residente disse...

Caro anónimo
Disse um conjunto de verdades que algumas pessoas dos partidos reconhecem, mas não tem coragem para dizer ou assumir, porque priviligiam a sua "carreira" política.
Nós vamos continuar a denunciar estas fraudes e a apelar à participaçãp dos cidadõas porque só estes e não os acomdodados conseguem defender os legitimos interesses seus e das comunidades em que se inserem, livre do controle partidário e interesses pessoais de ocasião.

NoExit disse...

Do 17º Fórum ficam as seguintes conclusões e quem sabe as seguintes aberrações:

- Está decidida(e + que decidida)a passagem de uma das linhas na Rua Lopes de Mendonça. A fase de projecto para esta rua parece (digo parece, face às palavras do Arq. do grupo de trabalho do MST)estar praticamente concluída.

- A obra na Rua de Alvalade já demonstrou ser uma aberração (os carros de bombeiros não entram na Rua).

- Os comerciantes foram lamber as botas da Dona Presidente. Se estivéssemos no Natal até tinham levado o cabaz de natal.
Quando virem que não levam nada...

- O Sr. Eng. Marco Aurélio demonstrou, mais uma vez, que não anda no terreno e não conhece a realidade da cidade de Almada. Diz que a passagem da linha na Rua Lopes de Mendonça vai evitar o estrangulamento do trânsito na Av. Bento Gonçalves.
O Eng. Marco Aurélio (no seu estilo D. Juan e Ser provido de inteligência única e incalculável) deveria ter estado hoje, pela manhã, na Rua Lopes de Mendonça e constatado onde começa o estrangulamento do trânsito.
- A Dona Presidente fica realmente nervosa quando ouve falar os moradores da Lopes de Mendonça. E como dizem..."quem não deve não teme..."

observador disse...

O engº Marco Aurélio está quase a dar um tiro no pé e a ver o seu por enquanto belo tapete, ser puxado com toda a força.

Em fóruns desta natureza e composição não me espantam atitudes como as que uma vez mais se registaram.

A CMA "obriga" o engº Aurélio a dar a cara enquanto sorri (tipo anda Bobi que já enganámos mais um) e consegue partir para bingo, levando desta vez os contestatários (gargalhada) comerciantes atrás de si.
Algo está por trás deste fumar de cachimbo da paz entre os comerciantes (já não tão preocupados) e a edilidade.
Promessas? Claro que sim!
Resta saber quais e a troo de quê.

Entretanto a luta continua (já aprendi) no Triângulo da Ramalha e a teimosia segue no círculo do poder.

Há que ver para crer mas atenção que eles andam aí.

observador disse...

Referi, por lapso, que "O engº Marco Aurélio está quase a dar um tiro no pé e a ver o seu por enquanto belo tapete, ser puxado com toda a força."

Queria dizer
O engº Marco Aurélio está quase a dar um tiro no pé e a ver até quando o seu por enquanto belo tapete, não é puxado com toda a força.

Desculpem a troca de palavras que tirou o sentido à frase.
Obrigado.

Zé Lino disse...

Eu estive lá e vi bem a triste figura que o sr. Eurico fez..Interrompia quem estava a falar no momento para causar apenas incómodo. O senhor pediu sequer para falar quando a isso a plateia foi proposta?
É só postas de pescada, triste ser da aprte de um cidadão de Almada. Respeite as opiniões alheias. Eu também não sou da familia politica da Presidente e respeito-a. Acho que ela deu um verdadeiro sermão bem dirigido "aqueles que só olham para o próprio umbigo e descuram o interesse geral da população" como ela disse. Tenha tento, parece que nem está a par dos últimos documentos quanto mais..Respeite para ser respeitado.

Eduardo disse...

Dª Maria Emília deu "show de bola" aos pseudo-interessados na qualidade de vida em Almada. Viu-se no 17º Fórum como muita gente vai para lá mandar postas de pescada e nem sabe bem o que está a dizer. Havia um que queria lugares de estacionamento p ele, p a mulher, p o amigo e por ai adiante..Grande Emília, estiveste bem a altura.

vitor matos disse...

O senhor Eurico porque não foi para a fila da frente? Tinha medo de falar? Tá ai todo armado em garganeiro para quê? Eu bem o vi, com o rabinho entre as pernas..Mostre civismo e não interrompa o discurso dos outros como fez..Tanta coisa, faz e acontece e nem pediu o microfone para falar..
Vá trabalhar homem!!

Anónimo disse...

zé lino, eduardo,vitor matos e companhia de IrI.. (Irresponsabilidade Ilimitada).
A malta da côrte presidencial reaparece disfarçada de cognomes variados que nem cada cor seu paladar de conteúdo único, trabalhando de madrugada, para executar a sua ôca missão caciqueira.
O Senhor Eurico provavelmente, digo eu, ele lá saberá porquê, não ficou na fila da frente p´ra não ficar lado a lado com os comerciantes que deram a volta - ou já lhes deram a volta - e presentemente andam a elogiar a presidente de mão estendida, à espera de uma esmola/subsidiozito com punhos de muita renda, quando dias antes se insurgiram, nos Bombeiros de cacilhas, contra os estragos que o MST está a causar.
Foi só questão de virar o casaco para a cerimónia.

mário silva disse...

Preocupante como há eduardos e outros que tais a fazer elogios á opacidade, ao vazio, ao desconexo, à insensatez.
O verador Gonçalves e a drº Maria Emília falaram e depois de esprimido não corria nada de líquido. Faltaram ao respeito aos almadenses que se deslocaram ao local para ouvir alguma coisa interessante.É a prata da casa: frustração total e habitual destes foruns e formuitos já passados.
Vale ver os incómodos que algumas questões provocam na dra Emília.

Anónimo disse...

Entre as 2:47 e as 3:00 três respeitáveis e não anónimos cidadãos de Almada demonstraram aqui uma “sintonia” de pensamento invulgar … Qual terá sido a razão de tão misteriosa “insónia colectiva” ?
(Terá sido a primeira reacção ao debate sobre Lisboa ? )

NoExit disse...

Não sabia que os lugares da frente são os melhores!
Devem ser ensinamentos do tempo do muro de Berlim...
Sr. Eurico no próximo fórum faça o favor de se sentar na perna da Dª Maria...

Anónimo disse...

Meu caro noexit...essa não!
É uma má sugestão para o Sr. Eurico. Pelo que conheço dele, é incapaz de uma coisa dessas.
Cruzes canhoto.
Nada disso para o meu amigo.

Anónimo disse...

"aqueles que só olham para o próprio umbigo e descuram o interesse geral da população", Sr. Zé Lino? E o 1,2 milhões? Eu pago impostos e muito. E o Sr.? Já agora, sabe que a tx de IMI na RLM é das mais elevadas de Almada? Deve ser para financiarmos o MST à porta. Só eu desejo que esse dinheiro que será aqui disperdiçado seja aplicado noutra obras. Ou será que em Almada não há mais nada a fazer? Só este comboio interessa? Já agora conhecem alguem a morar na EN 10? É que cada vez que passa o "comboio" os vidros das casa, ao nivel dos 1ºs e 2ºs andares abanam. Os quartos nos prédios da RLP são virados para esta artéria. É por defender a passagem do "comboio" por duas linhas já existentes que os moradores são acusados de "umbiguistas"? Já agora, como apelida a posição da Camâra que não acata a desisão da Srª Secretária de Estado?

Anónimo disse...

O 1,2 milhões que não gastariam na Ramalha daria uma ajudinha na construção do terminal "provisório/10 anos" cujo custo, segundo notícia de hoje, da Lusa, vai ser suportado na integra pela autarquia

Anónimo disse...

Para o penúltimo anónimo,

Não fale do que não sabe, homem. Não invente. As opiniões, por mais absurdas que sejam, merecem respeito. O disparate não! A tx (deve ser taxa) de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) na RLM (aqui penso que será o tratamento envergonhado para Rua Lopes de Mendonça, será?) é das mais elevadas de Almada? Você percebe bem o disparate que disse? Ou está só a atirar areia para os olhos das pessoas?

observador disse...

Isto está fraquito.
Vou dar uma voltinha de eléctrico.
Há quem lhe chame MST.
Mas deixem-me ir senão já não tenho lugares.

Anónimo disse...

Não podemos deixar de lutar pela verdade e em defesa dos cidadãos, dado que nem a força politica mais votada, nem as oposições o fazem.
Parece que o tempo em que só eles falavam e falavam e falavam, e ao fim de 5 horas de conversa o pessoal se ia embora e então sim, vamos lá a votos, está a voltar...ou se calhar nunca chegou a acabar.

residente disse...

Perante factos e evidências esta Câmara Municipal de Almada continua a não ter vergonha na insisttência em ludibriar a população almadense, o que é desonesto.
Haja o minimo de senso e assumam que em Portugal e na Europa já não têm cabimento tiranias venham elas de onde vierem.
Deixem-se de truques baixos. A população de Almada já não adormece com as vossas legalengas soníferas, como se viu no último Forum dito de Participação MST.

Eugénio Simões disse...

Mandem na vossa casa primeiro, não falem em meu nome pela rua Lopes Mendoça em que vai passar o metro. Eu quero lá o metro. O sr. Eurico não fala por mim. Aliás até como vizinho é muito mau, é só garganta. Diz que faz e acontece e vai-se a ver nada..

Martin L. disse...

Grande Metro!!!
Hoje rejubilei de alegria ao ver que a Avenida Nuno Àlvares Pereira ja está reduzida a uma faixa para cada lado!! :) Acabou-se o estúpido estacionamento em 2ªa fila :)
Vai ser chato estacionar como deve de ser...ahahahah!!!

residente disse...

Meus caros, com muita calma e também com tranquilidade estamos onde estamos e compreendemos que alguns se sintam incomodadas com a denúncia de irregularidades.
Faz parte da natureza do ser humano sentir-se desconfortável em algumas circunstãncias.
Não vale a pena uso de disfarces através de nicks ou termos nominais para quem só tem a coragem de obedecer a vozes do dono.É uma revelação de fraqueza da personalidade.
Sabemos onde estamos e com quem estamos, pelo que não insistam em insinuações torpes e patetas.
Compreendemos porque o fazem e o propósito que visam.
Conhecemos os vossos métodos e modos de estar na vida e actuar quando são confrontados com opiniões diferentes das vossas.
Sois intolerantes à diferença e à diversidade.Não sois capazes de compreender e aceitar o que é viver em sociedade livre, sem perseguições de qualquer espécie.
O problema é vosso. Façam um esforço para ultrapassá-lo.Melhorarão de certeza a vossa postura e conduta social.
Que os deuses e as tágides vos protejam.
Bom dia para vós.

Anónimo disse...

Residente,

Linda prosa, esta última (algumas das outras também ...). Resulta é mal. Depreendo da leitura desta peça notável que acaba de publicar que, para si, "viver em sociedade livre" significa acatar as suas opiniões como geniais e únicas. Edificante. Todos os outros, aqueles que não pensam como você, limitam-se a insinuar coisas torpes e patetas.

É, de facto, uma excelente peça de literatura e de ideologia, a sua. Antes falou de tiranias, desta vez consegue um dos melhores exemplos de como o feitiço se vira muito frequentemente contra o feiticeiro.

Cumprimentos, e continue assim!

Anónimo disse...

Caro anónimo (último),

Admirado? Começam a abrir-se brechas no "edifício ideológico" do residente (autor do blog), caro anónimo. O nervosismo cresce ... é natural.

mário silva disse...

Continuem a espernear dois ultimos anónimos.É bom para vossa mente. Constitui uma auto-ajuda para vossa realização pessoal.

Anónimo disse...

Sou o primeiro dos dois últimos anónimos, e quero apenas dizer ao Mário Silva que não precisa preocupar-se. Vou "espernear" quando e sempre que me apeteça. Não por uma questão de realização pessoal, mas por uma questão de cidadania.

E também lhe digo: esperneio com calma. Muita calma. Exactamente como o Residente aconselha.

E sabe outra coisa, Mário Silva? Há uma característica de certa gente que me provoca muita comichão. Sabe qual é? É a hipocrisia. O Residente é o protótipo do hipócrita, e isso irrita-me profundamente. Vem para aqui com falsos moralismos falar de "viver em democracia", acusar todos quantos não pensam como ele de torpes e patetas, de apenas obedecerem a "vozes do dono", entre outras alarvidades. Mas, de facto, é o primeiro (e com mais responsabilidades porque é o autor deste blog!) a procurar cercear (ainda para mais insultando) exactamente esse "viver em democracia". Hipocritamente, sublinho!

A única "democracia" que o Residente conhece (e já o revelou claramente aqui) é a imposição da sua opinião e da sua vontade a todos os outros. Ainda que quando dói mesmo, quando é a sério, o Residente ... se encolha. Como muito bem já aqui foi dito... não por mim.

Não acha curioso que sempre que surge uma voz discordante do Residente, a sua preocupação imediata seja a de considerar essa voz como ... "voz do dono"? Afinal quem é que aqui dá ou não dá direito a opiniões diferentes? Afinal quem é que aqui respeita ou não respeita a opinião dos outros? Afinal quem é que aqui sabe ou não sabe "viver em democracia"?

Anónimo disse...

Tinha jurado a mim próprio não voltar a este blog. Depois de ter sido "descobeto" pelo autor do blog (sim, sou eu, ou melhor, fui eu quem "viciou" o vício do pseudo-inquérito que o autor "democraticamente" aqui mantém, lembram-se?), tinha decidido que a minha missão terminara - uma vez "descoberto" não valia a pena continuar -, mas não resisti. Voltei a este espaço hoje e com que deparo? O inquérito continua, meus senhores. Continua, mas ... sem que possamos saber qual é o estado da coisa, que é como quem diz, como é que decorre a "votação".

Pensei para comigo: queres ver que o autor do "inquérito" descobriu como é que se faz para evitar que se falseiem os resultados? E experimentei verificar essa hipótese. Desilusão, meus caros amigos. Já "votei" mais umas quantas vezes! É claro, agora não consigo saber como vão correndo as coisas, quem tem mais "votos" ou menos "votos", o que convenhamos é muito mais favorável para a apresentação final dos resultados que o autor aqui nos prometeu por inícios deste mês. Mas que "votei" várias vezes, isso votei.

E tanto assim foi que me convenci que provavelmente vale a pena perder mais algum tempo a "votar" de novo, pelo que provavelmente irei aqui voltar brevemente. Não tenciono, é certo, deixar aqui mais nenhum comentário.

Minda disse...

Sobre este assunto do MST e do pseudo fórum de participação n.º 17 (quiçá mais um "comício autárquico" a que se dá a benesse de a população poder assistir para verem como brilham de orgulho os senhores autarcas ao apresentar umas quantas ideias "tão boas tão boas que nem vale a pena contestar") deixo apenas as palavras do Presidente da Assembleia Municipal:

«a forma como a obra está a ser executada é uma vergonha»,
«os peões são tratados abaixo de cães» e
uma recente inspecção às obras detectou «problemas do arco da velha»
(in Jornal da Região, n.º 86, de 19 a 25 de Junho).

Quando os deles falam assim, é caso para perguntar: o que não estará por aí escondido? Ou será que o José Maia se transformou num perigoso agente subversivo a soldo das forças ocultas da oposição?

Anónimo disse...

Também por aqui agora, minda?

Sabe que tentar distorcer o objectivo da intervenção do Presidente da Assembleia Municipal, é muito, muito feio. Não se faz! Percebe-se que não esteve lá, não ouviu, leu apenas o relato do Jornal da Região. É pena, porque se lá tivesse estado, se tivesse ouvido, provavelmente ter-se-ia poupado a este exercício de pura demagogia que aqui nos deixa a todos.

Sabe o que eu penso? Com esta sua incursão por este território de mal dizer, você consegue emparelhar perfeitamente com o Residente (para além de outros, não se preocupe que não estão sozinhos), em termos de demagogia. Sim senhor, fazem uma excelente parelha!

Anónimo disse...

Já agora, minda, o Ensaio sobre a Lucidez é mesmo um dos seus livros preferidos?

Anónimo disse...

PORQUE É QUE FOI ESCOLHIDA A SOLUÇÃO MAIS CARA ????

Anónimo disse...

Estimados visitantes do blog.
Como pagadores de impostos (uns mais que ouitros), IRC, IRS, IMI, IMT, etc, etc, não vos preocupa a questão colocada por este último anónimo?
A mim, preocupa-me, e muito...Não temos todos o direito inalienável de questinar o poder político exigindo transparência na gestão da "coisa pública"?
Não foi este um dos temas abordado nas últimas jornadas do partido actualmente no governo?
Não teremos todos o direito a saber qual a razão que implica a construção de cerca de 500 metros de linha que são perfeitamente desnecessários?
Os mais "esclarecidos" pelos contactos que têm com o poder local, saberão explicar este estranho facto aos humildes e "ignorantes" moradores das ruas afectas (Henrique Lopes de Mendonça e José Justino Lopes)

Nota: O Henrique foi omitido pelo Gabinete de Toponímia da CMA, não sabemos com que intenção... sendo certo que, afinal era o nome próprio do autor da letra da PORTUGUESA (Hino Nacional), tal como consta nos manuais escolares pelos quais os autarcas terão estudado...

residente disse...

Então não é verdade que houve contestação ao MST pelos moradores da Lopes de Mendonça e da Polónio Febrero Júnior, com intervenções no dito Fórum e o Jornal da Região nada publica?
Por que razão será?

Quantos aos provocadores de serviço agradecemos a sua participação.
Por acaso do dito Fórum também lá estavam para mostrar serviço, mas agora mais discretos.
Vamos conhecendo quem são.

tudo pelo gabriel, nada contra os almadenses disse...

relativamente à comissão de toponímia deixem-me só acrescentar que, neste município, que justiça se pode esperar se até a casa da justiça tem na sua fachada o símbolo do partido no poder?

Minda disse...

Caro “Anónimo das 4:27 PM que, supostamente, será o mesmo das 4:38 PM” (isto de não sabermos com quem falamos não tem muita graça, principalmente quando os outros sabem quem somos, mas como assumo, sempre, o que digo e faço – ao contrário de muito boa gente que por aqui passa, apesar de estarem no seu direito, claro - não há problema. Avancemos, então no diálogo):

É verdade que não estive lá no “comício autárquico”, mascarado de fórum de participação, uma conferência onde a autarquia pretende apenas apresentar a sua versão dos factos e dá a benesse à população de poder assistir para que tenham a ilusão de que “participam” da decisão... (ingénuos os que assim julgam). Sobre o assunto escrevi num outro blog almadense que abordou o tema (O Lado Certo):

«Há muito que desisti de ir a estes supostos fóruns que mais não são do que sessões partidárias, tipo aulas de "olhem como a CMA faz tudo tão bem e nunca se engana" ou qualquer coisa do género.
Fui a um e vim desiludida: às perguntas concretas era vê-los a fugir. Tentei um segundo e não aprendi nada: as dúvidas que tinha mantiveram-se. Insisti ir a um terceiro e fiquei indignada: alguns moradores que se atreveram a colocar questões quase foram insultados. Fiquei vacinada…
Mas isto não significa que, por outras vias, não me vá inteirando do andamento do projecto. Nem tão pouco quer dizer que não pesquise informação ou esteja desatenta. Muito pelo contrário. Agora ir àquelas pseudo sessões de esclarecimento que só servem para perder tempo é que não.»

Estamos, portanto, esclarecidos.

Quanto ao facto de eu estar a distorcer as palavras do senhor Presidente da Assembleia Municipal, por quem eu tenho todo o respeito, deixe que lhe diga que ele não precisa que anónimos venham em sua defesa fazendo falsas acusações. Considero-o uma pessoa de coragem e frontal (ao José Maia, claro), que merece a minha admiração, ao contrário dos que se escondem atrás do manto do anonimato por não terem coragem de assumir publicamente o que pensam.

E o que eu me limitei a fazer foi transcrever aquilo que a jornalista Ana Cristina Fernandes referiu no Jornal da Região (por isso citei a fonte)... o contexto era esse e as frases valem por si só independentemente do enquadramento que está a querer que elas tivessem. Aliás, o referido semanário até vai mais longe e explica até quais são os motivos que levam o senhor Presidente da AM a pensar desta forma (opinião que eu, e a maioria dos cacilhenses, partilhamos 100%).

E o senhor, que supostamente lá terá estado, atreve-se a negar que o José Manuel Maia, referindo-se à forma vergonhosa como as obras do MST estão a decorrer, disse que (e passo a citar a mesma fonte):
«os acessos dos peões têm de estar sinalizados, e não estão, o espaço da obra devia estar vedado” e as ruas deviam ser “regadas diariamente. Não vale tudo, como neste momento está a acontecer”?

Digo-lhe mais, se houver um desmentido então falamos de novo. Caso contrário, assunto encerrado. Demagogia? Não sou eu, com toda a certeza, que a pratico... Serão sim, como é por demais evidente, aqueles que só ouvem o que lhes convém e vêm para aqui desestabilizar e lançar umas quantas idiotices a coberto do conveniente anonimato. E parelha fazem-no os que assim agem e não os que partilham opiniões idênticas.

Quanto ao José Saramago que V.ª Ex.ª para aqui chamou: acertou em cheio. Ele é, de facto, um dos autores portugueses que mais aprecio. Mas enganou-se no livro: os meus preferidos são a “Jangada de Pedra” e o “Memorial do Convento”. No que toca a ensaios inclino-me mais para o da cegueira, se é que me entende (será que já os leu? Eu sim! Por isso sei do que falo)...

E desculpem-me a longa conversa mas era necessário explicar umas quantas coisas...

residente disse...

Minda, não deturpaste nada o que foi dito naquele último "faz de conta" Fórum de Participação.
Esse anónimo ou esses anónimos ou esses supostamente "nomeados" estão a cumprir o que lhes foi programado, isto é, tentar lançar a confusão e desviar a atenção do desastre que é esta obra.

Anónimo disse...

São aqueles "malditos vicios" do tempo......do "sol que nos alumia".
A discussão e o denunciar de fraudes e de outras situações menos claras é uma das conquistas, que os ditos donos da palavra já não nos tiram.
Força com a denúncia do que está errado no nosso concelho.

Anónimo disse...

Cara Minda,

Ofendida? Paciência. Não vou entrar em discussão consigo, mas mantenho o que disse e é o que penso. Pelas razões que apontei, e por outras. Mas adiante. Registo apenas que você é corajosa (dá sempre o nome), eu não. Paciência igualmente.

Agora, apenas um pequeno aspecto que posso até considerar pitoriesco. A prosa que reproduzo abaixo está no seu próprio blog, é portanto da sua própria responsabilidade. Dela consta, como um dos livros preferidos o Ensaio sobre a Lucidez. O Memorial do Convemto é que não consta, se calahr está incluido no etc. final ...

Se calhar será melhor alterar, não acha?

"Livros Favoritos
Os Maias A Cidade e as Serras O conde de Abranhos O Codex 639 As Duas Águas do Mar A Quinta Essência Vates A.G.B. A Jangada de Pedra Ensaio sobre a Lucidez A História Secreta Rios de Púrpura O Último Segredo do Templo etc."

Minda disse...

Começo por pedir desculpa ao "dono" do blog por estar a utilizar, sem autorização prévia, o seu espaço para entrar em diálogo com um outro visitante. Mas penso que uma das funções dos blogs deveria ser esta mesma... permitir conversas entre quem visita e quem está, a partir do desafio lançado pelo autor no artigo do dia.

Assim sendo vou dirigir-me, mais uma vez, àquele por quem até já começo a nutrir alguma simpatia, o

Caro "Anónimo das 7:38 PM, de dia 22, o mesmo das 4:27 PM e das 4:38 PM do dia anterior":
(não é que isto começa a ficar engraçado? para a próxima não há linhas que cheguem para o nomear… veja só como um nome, mesmo que fosse fictício, ajudava!)

Ofendida? Eu? Isso era dar demasiada importância ao que o senhor disse (e que, pelos vistos, mantém). Não me chateio com tão pouca coisa, pode crer. Tenho problemas mais graves para resolver…

Mas, como "quem não se sente não é filho de boa gente", obviamente que tinha de ficar chateada, tinha que ficar chateada mesmo e ponto final… Mas ofendida? Não! Que exagero. Até porque eu, tal como o senhor, mantenho o que escrevi… e em termos de estética de atitudes, feio é alguns (e não me estou a referir a si em particular) transformarem este espaço de liberdade num saco de invectivas sem nexo quando poderia ser um excelente fórum de discussão. Ofendida ficaria, sim, se a linguagem por si utilizada fosse de baixo nível (o que não aconteceu)… quanto aos outros, nem resposta merecem sequer. Só desprezo e indiferença.

Quanto às minhas leituras preferidas sabe que é muito difícil indicar uma lista curta quando eu sou das poucas pessoas que lê, em média, 2 livros por mês (e nas férias até muitos mais)…

Na altura que escrevi o "profile" do Infinito's (Junho de 2006, data da sua criação), só tinha lido o "Ensaio sobre a Lucidez" que me despertou para a leitura do seu antecessor "O Ensaio sobre a Cegueira" (que gostei muito mais) e, por isso, não o poderia ter citado. Contudo, permita-me que lhe diga, sendo aquela lista uma gota de água no oceano dos livros que já li e de que gostei, é irrelevante se lá está este ou aquele. E em relação ao Saramago lhe digo, gosto de todos os que li e todos eles podem ser considerados meus preferidos, faltando por isso referir, ainda, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", "Manual de Pintura e Caligrafia" e "Todos Os Nomes" que, sem desprimor, também estão incluídos no tal etc.

E, já agora, obrigada pelo "registo" quanto ao facto de me considerar corajosa por "dar sempre o nome". Gostei. Apesar das muitas diferenças de pensamento que temos, e da ironia com que "dialogamos" (o que considero saudável), tenho pena de não me poder dirigir a si com um "até à próxima! E bom fim-de-semana" José, Joaquim, César, ou outro nome qualquer. Mas fica o "até à próxima! E bom fim-de-semana".

Francisco (se quiser Xico) disse...

Cara Minda,

Sabe que apesar de um certo azedume que tem marcado este nosso (ainda curto) diálogo - e olhe, não se penitencie por utilizar este espaço para o efeito, ele existe mesmo para isso - acho que ele até está a ser interessante.

Se calhar até nem temos tantas divergências de pensamento como julga. No fundo, no fundo, somos capazes de pensar muitas coisas parecidas ou mesmo iguais sobre as questões importantes da vida.

E esta reflexão justifica uma inflexão naquilo que deixei aqui escrito na minha última intervenção dirigida especificamente a si. Sempre vou comentar o cerne da questão que me levou a reagir à sua intervenção sobre o Presidente da Assembleia Municipal no 17º Fórum do MST, e adiantar a razão pela qual entendi que você distorceu a coisa.

Não nego que a intervenção tenha sido feita nos termos em que foi. É verdadeiro o relato que o Jornal da Região faz. Mas também não saí em defesa de ninguém, muito menos do José Maia, de quem sou amigo há longa data, e que não precisa, como você muito bem diz, que o defendam.

Não, Minda, a razão porque discordei de si e pela qual disse - e mantenho - que distorceu o que o Maia disse, foi muito simplesmente o facto de você terminar a referência que faz à intervenção dele virando-se contra a Câmara Municipal. Ora o Zé Maia não quis, de todo não quis - nem você alguma vez poderia, acredito, sequer pensar que ele quereria - atacar a Câmara Municipal de Almada pela realidade que retratou. Devo dizer-lhe, aliás, que penso exactamente como ele.

E você sabe muito bem o que o Zé Maia quis dizer. Você sabe muito bem que a Câmara Municipal de Almada tudo tem feito para que as obras decorram com o mínimo de impacto para os munícipes, para a cidade. Você sabe muito bem quem é o dono da obra. Você sabe muito bem quem é que tem responsabilidades por conduzir a obra em moldes a provocar o mínimo de impactos aos cidadãos (embora em obras desta natureza, esses impactos sejam sempre inevitáveis). Você sabe muito bem quem tem, de facto, revelado preocupações sérias em minorar os incómodos provocados (quando essa é uma responsabildiade do dono da obra e do concessionário). Você sabe de certeza isto tudo muito bem. Mas na sua intervenção resvalou para o "fácil", para a ferroada na Câmara Municipal. Foi isso que eu achei - e acho! - muito feio. Foi por isso que considerei que você distorceu as coisas.

Foi por tudo isto que considerei a sua intervenção como distorcendo a realidade das coisas, e a tratei por feia. O que, naturalmente e com todo o respeito, mantenho.

Para terminar este já longo comentário, terá reparado que já pode tratar-me por um nome (certo, fictício, mas nome) facilitando o diálogo como você sugere.

Cumprimentos e bom fim de semana também para si.

NoExit disse...

Caros Srs. Anónimos (estão tão ocupados a ler Saramago que não têm frequentado as aulas de informática...ou será mesmo falta de coragem??!!)
Tendo estado no Fórum de Desparticipação, como o dizem ter estado, não é possível que queiram desmentir as palavras da "minda". Quem lá esteve (e não estava ainda a dormir com o discurso apaixonante do Vereador) constatou as duras críticas do presidente da Assembleia Municipal. Tenham vergonha e não desmintam o indesmentível.

Quanto ao argumento da inflexibilidade por parte do "residente" quanto às suas opiniões, tenho a realçar a atitude de grande diálogo da CMA!!! Além disso, o "residente" apenas defende a aplicação do despacho da Secretaria de Estado dos Transportes. A CMA acusa-o de não conhecer todo o processo também não o disponibiliza...

Srs. Anónimos, ainda aí vêm surpresas...

residente disse...

Minda não tens de pedir desculpa para utilizar este blog para as conversas em diálogo com qualquer interveniete.
É a dinãmica dos diálogos que dão vida aos blogs quando não se entra no campo das ofensas e agressões pejorativas.
Ora tu tens sido uma das vítimas das palavras de alguns intervenientes muito mal formados.
Faço votos que essa gente faça alguma introspecção e abandone esse tipo de intervenção, que só os caracteriza e define.

Francisco (se quiser Xico) disse...

Às vezes aí aparecem uns "noexit" (sem saída?) para distorcer tudo. Se o comentário me é dirigido, leia com atenção o que escrevi e depois acuse.

Quanto ao que o "residente" defende ou não, basta ler (já agora, também com atenção), tudo o que ele aqui tem escrito - a começar pelos próprios posts que são sua exclusiva responsabilidade. Depois disso, venha lá outra vez dizer que o residente "apenas" defende aquilo que você diz que ele defende.

Minda disse...

Caro Xico:

Fico muito satisfeita por poder tratá-lo por um nome. Facilita, como vê, mesmo que possa ser um pseudónimo. Para o efeito, serve perfeitamente.

Começo por lhe dizer que fiquei assaz satisfeita por verificar que, afinal, este nosso azedume inicial se calhar até não é assim tão amargo. E é bom que esta troca de palavras aqui fique registada porque demonstra como é possível que pessoas com divergências, não direi profundas mas, talvez, significativas, entenderem-se mantendo os seus pontos de vista sem deixar resvalar a conversa para níveis intoleráveis de falta de educação.

Voltando ao tema central do nosso diálogo:

Reconheço que a frase final do meu comentário inicial foi demasiado mordaz, algo provocatória mesmo. Todavia continuo a pensar o mesmo, tal como o Xico, embora reconheça que tem razão nalgumas observações que faz.

Sei muito bem quem é o "dono" da obra, a quem compete a execução no terreno e quais são as atribuições da CMA. Contudo, não aligeiremos as responsabilidades da autarquia ao nível do acompanhamento e fiscalização do projecto.

Sendo certo que as palavras do Presidente da AM se referiam à consecução prática da obra (a cargo de outros e não da CMA, como ambos sabemos), que não tem estado a cumprir as mais elementares normas de segurança (vejamos, por exemplo, o que se tem passado na Av.ª 25 de Abril onde, entre outros problemas, o empreiteiro vai ter de refazer parte dos trabalhos porque houve um erro de cálculo e as canalizações do gás ficaram mal colocadas, só não tendo acontecido nenhum acidente apenas por milagre), não podemos esquecer que existem muitas contradições incompreensíveis e inúmeras dúvidas por esclarecer, que caberia à autarquia deslindar em vez de fomentar (recordo-lhe o caso do "triângulo da Ramalha" aqui sobejamente noticiado).

Não desdenho o papel que, por ventura, a autarquia terá tido ao longo do processo negocial com o Governo mas, por isso mesmo, não compreendo as razões que se escondem por detrás de opções como aquela que é aqui muito bem retratada neste blog, com vasta documentação sobre o assunto, e que titula este espaço de diálogo. Ainda não me conseguiram convencer de que as reclamações dos moradores não são justas (pese embora alguns excessos de linguagem) ou que as questões que levantam não são pertinentes.

Mais, ninguém ainda me apresentou explicações credíveis para justificar a escolha do traçado para esta zona, quando até havia uma alternativa mais barata de construir, aceite pelo Governo, mas recusada pela CMA apesar de a AM ter aprovado a opção sugerida pelos moradores. Sinceramente, não consigo perceber que interesses se escondem por detrás desta actuação. Por isso, entre outros motivos, sou muito crítica em relação à CMA mas, em particular, ao partido que está no poder (CDU) e, sobretudo, a alguns dos seus autarcas, conforme vou denunciando no meu blog e no do partido que represento (o BE), sempre que tenho provas suficientes para avançar. Porque de uma coisa não me podem acusar: leviandade técnica ou política.

Confesso-lhe caro Xico, tenha talvez uma falha (há quem tenha bem piores e não seja humilde o suficiente para o reconhecer): gosto de ser irónica, de falar por subentendidos, é bem verdade, e isso nem sempre é percebido por quem me lê. Mas, por uma questão de ética, recuso-me terminantemente a levantar suspeitas sobre aquilo que não posso provar. Nem tão pouco acuso ninguém sem fundamento. Terei, contudo, toda a legitimidade para colocar na mesa as minhas dúvidas e exigir explicações. Mas sei separar as águas e reconhecer, também, o bom trabalho que a CDU tem desenvolvido em Almada. Agora dar elogios quando não concordo ou pactuar fingindo que tudo está bem apenas por subserviência, é que, pode crer, nunca o farei.

E depois deste "testamento" (não sei bem porquê, mas o caro Xico provoca-me inspiração) só tenho a agradecer-lhe. Esta nossa troca de palavras está a ser um dos diálogos mais interessante que já mantive na blogosfera que, espero, possa continuar com a mesma gratificante elevação de até ao momento.

Mais uma vez, deixo-lhe os meus votos de um bom fim-de-semana.

Minda disse...

Caro Residente:

Obrigada pelas suas palavras. E faço meu o seu desejo e acrescento: que os que têm andado por aí a despejar fel, palavrões e idiotices façam uma introspecção e vão aprender as regras da boa educação e da sã convivência em democracia.

E não se esqueçam que "o último a rir é sempre o que ri melhor"!

E antes de me despedir não posso deixar de lhe dar os parabéns pela documentação que tem vindo a disponibilizar neste blog. Continue, pois, o bom trabalho que tem feito até aqui.

Um bom fim-de-semana

residente disse...

O ojectivo deste blog para além defender os legítimos interesses dos residentes enquanto seres humanos com direitos, foi também revelar a todo mundo a documentação que dispomos para as pessoas melhor perceberem a razão da nossa luta e os seus fundamentos.
Uma Pergunta quero deixar:
-Depois da Deliberação de 10 Março de 2004 da Assembleia Municipal de Almada exigindo ao Governo a fixação do Traçado do MST no Triângulo da Ramalha, se o Governo tivesse optado pela Solução que a CMA queria ou outra das cinco que não a Solução 5(dos moradores) e estes viessem para a praça pública contestar a decisão ou reivindicar a sua Solução 5, o que diriam : a presidente da CMA, o Presidente da Assembleia Municipa e os Srs Deputados Municipais, dos moradores?
Já pensaram no triste, antidemocrático e ridículo papel que andam a fazer Presidente da CMA e Presidente da Assembleia Municipal, nesta questão?
E...só mais uma pergunta:
A Srª Presidente e o Senhor Presidente não têm vergonha?

Anónimo disse...

No actual "figurino constitucional" parece que é a assembleia municipal o órgão fiscalizador da actividade da Câmara municipal.Em Almada, o órgão Presidente da Câmara parece ter poderes ilimitados...

Francisco (se quiser Xico) disse...

Cara Minda,

Comungo consigo no que respeita à generalidade das questões que levanta na sua última intervenção. O que significa, efectivamente, que o nosso azedume inicial não é assim tão profundo quanto isso.

Sempre fui - e já passei bastante dos 40 anos de idade - defensor acérrimo do debate livre e esclarecido. E sei que debate significa, necessariamente, divergência de opiniões, de pontos de vista, de formas de encarar as realidades da vida, de soluções e caminhos para as encontrar. Nada mais salutar. O unanimismo nunca resolveu nenhum problema dos Homens, nem resolverá.

O unanimismo tende, pela sua própria natureza, a degenerar em autocracia, em imposição da opinião maioritária ou, ainda mais grave, em imposição da opinião do mais forte - sendo que o mais forte é, normalmente, o lider -, reduzindo por isso um direito (diria mesmo um dever) inalienável de cada cidadão: o direito à livre expressão das suas opiniões.

Não é por acaso, seguramente, que as ditaduras se fundam, essencialmente, no unanimismo, na afirmação da indiscutibilidade das doutrinas e regimes que as suportam.

Mas que não se confunda, não sou contra a unanimidade, contra todas as unanimidades, melhor dizendo, desde que essa unanimidade se justifique e se fundamente na razão, no debate e na livre expressão do pensamento de cada um.

Como vê, nesta matéria as nossas divergências serão muito poucas. E esta é uma das tais coisas importantes da vida.

Vem toda esta conversa a propósito da primeira parte do seu último comentário. De facto, é bem possível - diria que seria desejável em todos os momentos da nossa vida que assim fosse - pessoas com divergências significativas consigam conversar de forma civilizada, sem agressões nem insultos, sem terem que se expressar pelo recurso à imposição das suas ideias aos outros, mas pelo recurso ao diálogo das suas ideias com os outros.

Concordará seguramente comigo que nem sempre - vou ser mordaz, quase nunca! - isso tem ocorrido por estas paragens. E assumo, plenamente, a minha quota parte de responsabilidade nessa situação. Mas a verdade - e o que vou dizer não constitui nenhuma devolução de cumprimentos - ainda não tinha aqui surgido ninguém que assumisse esta postura de diálogo como você faz. Afirmando as suas convicções, resvalando de vez em quando para um discurso talvez excessivamente mordaz (você diz mesmo provocatório), mas com urbanidade.

Relativamente ao cerne desta discussão que por aqui se trava, e sobre a questão que a leva a sentir-se tão crítica (se interpreto mal, desculpe-me, mas penso que crítica aqui quer dizer mais uma poição de oposição) relativamente à Câmara Municipal, gostaria de lhe dizer que não conheço em pormenor o problema concreto do tão falado "triângulo da Ramalha", por isso não posso pronunciar-me (como você, também não levanto suspeitas sobre o que não domino, quer tecnicamente quer politicamente).

Mas há uma questão sobre a qual me posso pronunciar sem qualquer receio. Não é aceitável colocar em causa a honorabilidade de ninguém, apenas porque se discorda da opinião - e mesmo da decisão - desse alguém. O que é que isto significa? Bom, ninguém acredita - não pode acreditar, não é lógico, não tem pura e simplesmente sentido - que a Câmara Municipal (seja ela qual for) ou os eleitos (sejam eles quais forem) elejam uma rua (ou os seus moradores) para lhes fazer mal. Apenas porque não gostam deles. Isto não tem o mínimo sentido.

Assim como ninguém pode acreditar que as instituições democraticamente eleitas - como é o caso das Câmaras Municipais -, mesmo que ideologicamente e partidariamente se discorde da maioria que as governa, decida em matérias de tão grande complexidade e responsabilidade como é sem dúvida o MST e o seu traçado, em função de gostar ou não gostar de quem quer que seja.

Não, esta é a argumentação de quem não tem razão, mas que pretende, a todo o custo, impor a sua (falta de) razão.

Por outro lado, e aqui fala a experiência, o argumento de que "é mais barato" nem sempre é o mais válido nem o mais racional. Dando de barato que é mais barato - passe o pleonasmo -, há sempre o velho ditado do povo que diz que "o barato sai caro".

Não aceito que os nossos representantes nas autarquias locais - sejam eles de que partido forem! - sejam tratados como "bandidos", como "piratas", como "irresponsáveis", como "mentirosos". O discurso anti eleitos (como o discurso anti partidos políticos que por aí se afirma cada vez mais) irracional e violento não ajuda, definitivamente, a Democracia. Pelo contrário.

Ora, cara Minda, o que eu tenho tentado - nem sempre, reconheço, com a maior elevação - fazer nas minhas intervenções por aqui, é precisamente contrariar este discurso "miserável" dos bons contra os maus, sendo que os bons somos nós (Rua Lopes de Mendonça) e os maus são a Câmara Municipal (Presidente, em particular). Este discurso eu não aceito, e estou certo que você também não.

Bom, vai muito longo este discurso todo. Mas sabe, você também me inspira.

De novo um excelente fim de semana para si, e, pegando nas suas palavras, é bom mesmo que este diálogo possa aqui ficar registado.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Antecipadamente pedindo desculpas por me intrometer na vossa amena e fraterna conversa, gostaria, se tal liberdade me for permitida, de sugerir ao senhor Francisco duas ou três coisas. Parece-me ser uma pessoa educada e bem formada, isso está patente no diálogo com a D.ª Minda. Deve ser uma pessoa interessada no bem comum. Procure uma causa à qual se possa dedicar, mesmo que não seja directamente interessado nela. Dedique-se a ela durante uns meses.Mas uma causa em que seja necessário entrar em organismos públicos do nosso País e solicitar informações acerca disto ou daquilo. Peça cópias de actas ou deliberações. Alegue interesse público. Assine com o seu nome esses requerimentos. Aguarde pelas respostas. Pague do seu bolso as cópias ou certidões que lhe forem entregues. Contacte com os serviços municipais. Và a reuniões de câmar e Assembleias. Fale connosco novamente daqui a seis meses mas antes procure ler o blogue desde o inicio. Vai ver que compreenderá melhor as posições dos Residentes e dos que se lhes opõem.

Tive um familiar muitíssimo próximo que esteve preso no Aljube com um actual membro do Comité Central do PCP. Eram bons amigos e acredito que ainda o seriam.Tenho um problema com outros elementos desse comité também por causa de uma grande obra pública. Nem sequer sou de Almada. Respeito os militantes do PCP e de todos os outros Partidos. NÃO ACEITO QUE PÚBLICAMENTE DEFENDAM UMA COISA E DEPOIS NESTES PEQUENOS CASOS DIFICULTEM AO MÁXIMO A VIDA DOS QUE SE LHES OPOÊM. Não foi para isto que tantos deram a vida pela Liberdade.
Aquilo que os residentes estão a passar podia ser comigo...

observador disse...

É disto que a malta gosta.
Dos anónimos.
Falam, falam, falam e não dizem népia.

residente disse...

Sobre a intervenção do Sr. José Manuel Maia no último Fórum, quer-me parecer, que a mesma não foi tão inocente nas criticas ao modo desleixado e irresponsável como as obras estão decorrendo, quanto possa à primeira vista parecer. Não é a primeira vez que o Sr. Presidente da Assembleia Municipal intervém com a mesma temática nestas sessões.
Parece-me que o seu objectivo foi aligeirar as responsabilidades da CMA neste projecto e no granel das obras no referente à falta de segurança para peões, moradores, automobilistas, comerciantes, clientes e residentes. Já repararam que a Concessionária não está presente nestes “Fóruns” há muito tempo! Portanto podem bater no ausente à vontade, que ele não se defende e até provavelmente não aparece de propósito. Estará combinado?.
A CMA tem fiscalização no terreno ou deve ter, conforme está previsto que fiscalize na Declaração de Impacte Ambiental.
Pois é, assim é mais fácil criticar o granel e desviar as responsabilidades pelo mesmo para quem está no terreno de obra, mas ausente no Fórum - a concessionária , empreiteiros e sub-empreiteiros – contratados e subcontratados por aquela.
Aquilo que o Sr. José Manuel Maia faz (ardilosamente) e muito bem, vendo o descontentamento das pessoas pela forma com as obras estão decorrendo, é canalizar esse descontentamento para alguém que não está presente!E ainda com a sua autoridade "democrática" sendo ele da cor da CMA.
É sabido que aquilo que o Sr. José Manuel Maia diz, fosse dito por qualquer anónimo cidadão ou por um residente qualquer da Ramalha, choviam raios e coriscos argumentando a Mesa do Fórum, que não seria tanto assim, e que não se pode andar a dizer sempre mal de uma obra que trás o futuro para Almada ou que teríamos de nos sujeitar tal qual quando fazemos obras na nossa casa.
Já ouvimos exactamente isto nestes malfadados “Fóruns”
Só que desta vez porém, a crítica do Sr. José Manuel Maia, foi muito sentida por Marco Aurélio, o Encarregado de Missão do MST, presente na Mesa. Viu-se pela sua mudança de semblante e postura daí para a frente, até ao final da intervenção pirotécnica da Presidente.
Será que depois de o Eng. Marco Aurélio ter dado a cara incompreensivelmente pela CMA a defender a manutenção da Linha 3 na R. Lopes de Mendonça já o estarão a descartar, a puxar-lhe o tapete?
Na verdade é pouco clara e clarificada a posição de Marco Aurélio em defesa da manutenção da linha na Lopes de Mendonça, uma vez que ele fazia já, ao tempo, parte da Equipa de Missão e foi o representante do Governo na Apresentação Pública das Propostas Alternativas de onde saíu o parecer técnico no qual a Srª Secretária de Estado dos Transportes fundamentou a sua decisão, colocando as Linhas 2 e 3 na Rua de Alvalade.
Mistééééééério....!

Francisco (se quiser Xico) disse...

Anónimo de Junho 22, 2007 8:02 PM,

Não peça desculpa por participar, homem. Participe, intrometa-se sempre que entender. Este espaço não é de ninguém, é de todos (ou deverá ser).

Permita-me é que lhe diga, com toda a sinceridade, que não consigo entender onde quer chegar. Tenho muita experiência de contacto com serviços públicos, nos diversos domínios de que fala. Não percebo, por isso, porque me pede que faça a experiência durante seis meses, e depois volte a falar convosco (consigo, presumo).

Ler o blogue todo? Também não preciso, faço-o desde praticamente a primeira hora. Senão como explicaria o meu diálgo com a Minda? Seria difícil, no mínimo, explicar esse diálogo, não acha?

Quanto ao seu último parágrafo, então é que não entendo mesmo nada. Apetecia-me, como faz o povo, perguntar-lhe: afinal o que é que o "cu tem a ver com as calças" (desculpando-me da linguagem mais popular).

Francisco (se quiser Xico) disse...

Residente,

Continua igual a si próprio. Nada a dizer ...

Francisco (se quiser Xico) disse...

Noexit (sem saída?),

Como pode ver, tenho razão: o residente não defende apenas o que você aqui disse que ele apenas defendia ...

residente disse...

Caro francisco o sr. está enganado. Sempre defendi o que defendo agora relativo ao Triângulo da Ramalha. Não há equívocos, nem o "noexit" está enganado.
Quanto ao que o Sr José Manuel Maia disse, confirmo-o. O Sr. Maia não disse mentiras, quando se referiu à segurança da obra.Eu faço a minha interpretação das suas palavras,vejo nelas um certo objectivo talvez diferente de outras pessoas.Outros farão a sua interpretação.

Martin L. disse...

A SRA. MINDA DEVIA APRENDER A ESTAR CALADA, EVITAVA POLUIR O AR COM AS ASNEIRAS QUE DIZ.. :)ISTO SIM, ERA ECOLÓGICO E BOM PARA ALMADA :)

EMALMADA disse...

Não tenho procuração para defender a SRA MINDA,como a trata, porque a minda não precisa e até é capaz de não ligar à sua provocação, mas
quem polui é martin l.
Repete-se, em todos blogs tal qual um 33 ou 45 rotações falhado.
Ainda há quem tenha desses discos em bom estado e com muito boa música,embora ultrapassados pelos Cd´s e DVD´s. Agora um disco antigo com música que não presta e falhado!
Valha-nos S.João Baptista!
Preocupa-o a denúncia das trpoelias que a CMA faz?
Paciência. A CMA não se sabe respeitar nem respeita os almadenses.

Minda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Minda disse...

Caro Xico


Só agora me apercebi deste seu último comentário (refiro-me, obviamente, àquele que me é dirigido e que foi postado no dia 22, pelas 6:46 PM).

Estou, creia, sinceramente, espantada com o evoluir desta nossa troca de impressões. E esta sua última intervenção mostra bem como, afinal, sempre somos mais parecidos (permita-me a proximidade desta expressão) do que eu julgava inicialmente. E falo, como é óbvio, ao nível do pensamento...

Afirmo mesmo que concordo 100% consigo (com uma pequeníssima excepção, que mais adiante citarei, e que não diminui o valor da minha concordância consigo), atrevo-me a dizê-lo, sem complexos ou receio que julguem ser esta minha opinião uma mera troca de galhardetes – porque não o é. E sei que você o entenderá.

Este entendimento refere-se, em particular, à análise objectiva que faz daquilo que eu classifico como a “essência da alma política da intervenção cidadã” e a postura que todos deveríamos assumir perante o debate de ideias, onde a liberdade de expressão começa no respeito entre pares e se mede pela firmeza na defesa das nossas convicções sem que isso signifique desrespeito pelo carácter dos intervenientes ou a assunção de unanimismos aparentes, sectários ou subservientes.

Quanto à divergência de que falei acima ela reside, tão só e apenas, no facto de que eu sou muito mais céptica do que o Xico no que toca ao comportamento dos políticos, à actuação dos partidos e à imagem das instituições públicas, autarquias em especial. Talvez esta minha posição se deva ao facto de trabalhar há vinte anos num órgão deliberativo autárquico, de âmbito supramunicipal, e conhecer suficientemente bem alguns dos meandros menos visíveis do poder local e, também, uns quantos bastidores da administração central. Felizmente ainda insuficientes para me fazer descrer em definitivo ou desistir de continuar a achar que ainda é possível lutar por uma nova “praxis democrática” em que o cidadão seja parte activa do processo de governação.

Voltando ao tema principal:

Claro que, sendo eu membro de uma Assembleia de Freguesia e militante de um partido político que está na oposição, não vou negar que acertou ao dizer que a minha atitude crítica em relação à CMA e à CDU reflecte essa circunstância. Mal seria se assim não fosse... significava que me demitira das minhas funções e mais valia pedir a renúncia ao mandato que os eleitores me haviam conferido. Todavia, como não podia deixar de ser, o meu comportamento reflecte, também, o exercício pleno de uma postura de cidadania activa que sempre preconizei.

Em relação ao caso do “triângulo da Ramalha”, e sendo eu, por princípio e natureza, adepta do diálogo (não procuro consensos a todo o custo mas, sinceramente, sou contra toda e qualquer forma de radicalismos exacerbados), tenho a dizer que, pese embora algumas formas expressivas que não subscrevo, permita-me que não partilhe a sua opinião no seguinte ponto: considero que os moradores têm sérios motivos para se sentirem indignados, revoltados mesmo, com a atitude prepotente que a CMA tem adoptado neste caso, de um ostracismo por demais notório e ofensivo, por ser inexplicável.

E é essa irresponsável ausência de respostas objectivas, por motivos que não se vislumbram, que, penso eu, leva os moradores a sentirem-se alvo directo e preferencial daquela que é a máxima responsável política do município, a Presidente da Câmara, sem com isto estar a desculpar alguns excessos de linguagem que considero terem havido da parte de alguns moradores.

Julgo, todavia, que isso não distorce o âmago da questão, não transforma os moradores em bandidos e, muito menos, absolve a CMA das irregularidades cometidas. Que eu saiba, desrespeitar um despacho governamental e fazer tábua rasa de uma deliberação da respectiva assembleia municipal não é, propriamente, um procedimento normal. Se existe uma justificação legal para a CMA assumir essa atitude, apresentem-na. O que é que os impede?

Também eu considero que o critério do custo mais baixo é insuficiente para justificar qualquer opção. Mas a hipótese apresentada pelos moradores não me parece que esteja baseada só nessa vantagem. Fala-se, também, em questões ambientais e de mobilidade que, até ao momento, ninguém desmentiu... aliás, terão sido elas que, no seu conjunto, levaram a Secretária de Estado dos Transportes a considerar essa solução como a mais viável. Assim como só pode ter sido com base nesses estudos que a AM deliberou apoiar essa posição. E já que centrou o problema na base da confiança, e partindo do pressuposto de que a CMA está a agir correctamente, vamos supor, então, que a SET aceitou ser pressionada e os deputados da AM votaram favoravelmente a proposta dos moradores sem a ler ou a troco de quê? Não será esta, também, uma situação bastante ridícula?

E para finalizar, que a conversa já vai longa em demasia (embora tenha sido muito produtiva – o debate franco, sincero e frontal, é sempre uma excelente forma de aprendizagem que não devemos desdenhar nunca... porque é, assim, que construímos uma cidadania consciente e interveniente), é claro que, tal como o Xico, também eu não posso concordar com os discursos anti seja o que for se as razões que lhes assistem são sentimentos primários, eivados de sectarismo básico, intolerante e cego. “Bons e maus” não estão concentrados num único lado da barricada.

Corruptos, incompetentes e oportunistas, existem em todos os sectores da sociedade, assim como pertencer a uma determinada área política não confere a ninguém dotes especiais de supremacia nem determina que tudo o que faça esteja sempre certo.

Sendo o erro humano (e só nunca comete falhas quem nada faz), a sabedoria reside em saber digerir essas experiências e aprender com elas... como dizia Tagaro, nunca se deve fechar a porta a todos os erros porque isso impede a verdade de entrar.

Despeço-me expressando um desejo (que nunca imaginaria possível após a nossa primeira troca de palavras): que nos continuemos a encontrar por aqui (neste sítio, ou noutro qualquer canto da blogosfera) e que possamos, de algum modo, com a nossa postura, contribuir para que este fórum (ou outros por onde venhamos a nos cruzar) possa ser aquilo que de facto tem potencialidade para ser... um espaço de liberdade e reflexão, e não uma simples janela aberta à maledicência gratuita.

Um resto de bom fim-de-semana.

Minda disse...

EmAlmada:

Obrigada pela solidariedade que se deduz pelas suas palavras.

E quanto ao "martim l." não merece aqui, de facto, qualquer resposta... até porque já me manifestei sobre aquela intervenção, precisamente no seu blog.

Um resto de bom domingo.

NoExit disse...

Sr. Francisco (o tal que também é xico) fico contente por ver que deve ter lido o livro que lhe ofereceram no natal, o tal da "Internet para totós". Alegra-me ver que afinal até sabe assinar o que escreve.
Aconselho-o agora a ler o "Excell para totós" e fazer as contas de quanto esta teimosia da Dª. Emília vai custar aos nossos bolsos.

Anónimo disse...

Noexit,

Você não tem mesmo saída nenhuma, homem. Metaforicamente falando, é claro, para usar um termo que lhe é muito caro ... digo eu, não sei.

Oh homem, eu comi um "i" a jornalistas, mas olhe que você não é pior que eu, acrescentou um "l" a Excel (ihihihihih) ...

noexit disse...

Isto parece-me um claro sintoma de dupla personalidade. Num comentário é Francisco(que também é xico) e noutro comentário é o Anónimo. Meu Caro, ASSUMA-SE!!! saia do armário!!! vai ver que não doi nada.
Você comeu o "i" aos jornalistas e quem sabe algo mais...ou terá sido a sua chefe?

O sr. francisco anda preocupado com o sentido do meu nick. Olhe que não sabe quem está sem saída...